As viagens de negócios realizadas nos e para os Estados Unidos da América (EUA) continuam a ser um importante motor da economia e do crescimento do país, gerando um impacto total de 623,8 mil milhões de dólares (cerca de 540 mil milhões de euros) no Produto Interno Bruto (PIB), enquanto as despesas relacionadas com viagens atingiram 538,5 mil milhões de dólares (pouco mais de 466 mil milhões de euros), de acordo com um novo estudo da Global Business Travel Association (GBTA).
Com base numa análise abrangente dos dados de 2024, o relatório revela o amplo impacto das viagens de negócios em diversos setores, no emprego, nas finanças públicas e nas economias regionais dos 50 estados norte-americanos. O setor representou 2,1% de toda a economia dos EUA e gerou 148,6 mil milhões de dólares (perto de 129 mil milhões de euros) em receitas fiscais. Além disso, sustenta 6,7 milhões de postos de trabalho em todo o país, estando associado a um em cada 24 empregos nos EUA.
As novas conclusões mostram ainda que foram realizadas quase 488 milhões de viagens de negócios nos EUA em 2024, evidenciando a dimensão e o alcance desta atividade entre estados, dentro dos estados e para os estados norte-americanos.
“As viagens de negócios geram valor que vai muito além das empresas e dos viajantes — trata-se também de um impacto econômico direto nas comunidades de todo o país”, reconhece Suzanne Neufang, CEO da GBTA. “Desde o apoio a milhões de empregos até ao financiamento de serviços públicos, os dados demonstram como as viagens de negócios estão profundamente ligadas à resiliência econômica, ao crescimento e à competitividade dos Estados Unidos.”
Segundo o estudo, as despesas com viagens de negócios atingiram um valor recorde, sendo que as despesas com viagens de negócios em destinos norte-americanos alcançaram um valor recorde de 538,5 mil milhões de dólares em 2024, face aos 501,1 mil milhões de dólares em 2023, o que representa um crescimento de quase 7,5%. Este montante inclui 270 mil milhões de dólares em viagens domésticas, mais de 50 mil milhões de dólares provenientes de viagens internacionais de entrada, e 217,8 mil milhões de dólares relacionados com a organização e gestão de reuniões, eventos e convenções.
Os dados sublinham igualmente o forte efeito multiplicador do setor na economia dos EUA, já que cada dólar investido em viagens de negócios, em 2024, gerou 1,16 dólares de PIB. Como se trata de uma atividade fortemente ligada ao território, o aumento das despesas em viagens traduz-se diretamente em crescimento econômico, emprego e receitas fiscais nos destinos visitados.
O impacto das viagens de negócios no emprego
Em 2024, as viagens de negócios sustentaram 6,7 milhões de empregos nos EUA, abrangendo emprego direto em setores ligados às viagens, funções na cadeia de abastecimento e postos de trabalho apoiados pela reintrodução dos salários na economia.
O estudo da GBTA revela que no total o setor cria 3,7 milhões de empregos diretos, 1,2 milhões de empregos indiretos e mais 1,8 milhões de empregos induzidos.
Além disso, o setor gerou 366,4 mil milhões de dólares em salários, apoiando trabalhadores nas áreas da hotelaria, transportes, serviços profissionais e muitos outros setores.
As reuniões, convenções e eventos geraram 217,8 mil milhões de dólares em despesas de viagens de negócios nos EUA, representando 40,4% do total em 2024 e evidenciando a crescente importância dos encontros presenciais para o impacto econômico do setor.
Entre as principais despesas operacionais associadas a reuniões e eventos destacam-se a Alimentação e Bebidas, com 59,9 mil milhões de dólares; a Produção e Oradores, com 47,9 mil milhões de dólares, e Administração e Gestão de Reuniões com mais 34,3 mil milhões de dólares.
O estudo demonstra, igualmente, a forte ligação entre as viagens de negócios e a economia em geral. Um aumento de apenas 1% nas despesas totais com viagens de negócios nos EUA traduzir-se-ia em 66.800 novos empregos, 6,2 mil milhões de dólares adicionais em PIB, 3,7 mil milhões de dólares em salários, e 1,4 mil milhões de dólares em receitas fiscais.
Já os cinco estados com maiores despesas em viagens de negócios foram a Califórnia (40,6MM$), Nova Iorque (30,2MM$), Flórida (26,2MM$), Texas (23,7MM$) e Illinois (13,3MM$).
Os dez principais estados representaram 57% de todas as despesas com viagens de negócios nos EUA.
Viagens individuais, eventos e “bleisure”
O relatório destaca também a diversidade dos motivos das viagens de negócios, indicando que 59% das viagens foram realizadas para fins profissionais individuais, como reuniões de vendas, prestação de serviços a clientes ou deslocações governamentais e militares, enquanto 41% corresponderam a viagens de grupo, incluindo convenções, formações e seminários.
A duração mais comum das viagens foi de três a quatro noites (30,5%), enquanto as deslocações superiores a quatro noites representaram 18,6% das viagens de negócios com pernoita.
As chamadas viagens híbridas (“blended travel” ou “bleisure”), que combinam objetivos profissionais e lazer na mesma deslocação, representaram 31,3% de todas as viagens de negócios nos EUA, com uma permanência média de 4,2 dias.

