O Travel Trends Report 2026 da Mastercard Economics Institute, que analisa os principais fatores que estão atualmente a influenciar as escolhas dos viajantes num contexto de persistente incerteza econômica e geopolítica, indica que a realidade do turismo na Europa reflete uma mudança mais ampla na forma como as pessoas viajam a nível mundial: os viajantes estão a adaptar-se e a redefinir os seus destinos, os meios de transporte que utilizam e as prioridades que orientam as suas decisões.
Os resultados apontam para um mercado de turismo maduro e resiliente, que está a evoluir para uma fase de crescimento mais normalizada e orientada para a procura de valor. Apesar de um contexto global mais desafiante, a Europa continua a afirmar-se como uma referência mundial para o turismo cultural, gastronômico e centrado na experiência da viagem em si.
As viagens em 2026, conforme estima o estudo, serão moldadas pela geopolítica e as suas consequências econômicas, mas outros fatores, como a pressão sobre os custos, a flutuação das taxas de câmbio e a mudança nas prioridades de negócios, continuarão a influenciar os destinos e a alocação de gastos. As preferências e prioridades pessoais determinarão as escolhas que serão feitas, e as ferramentas emergentes baseadas em IA ajudarão os viajantes a encontrar melhor relação qualidade/preço, considerando essas restrições.
Essas adaptações, lembra, estão a ocorrer num contexto de crescente incerteza geopolítica e macroeconómica. Os desenvolvimentos nos mercados de energia, as condições financeiras e os conflitos regionais têm o potencial de alterar rapidamente os custos e o sentimento em relação às viagens, redirecionando fluxos e mudando o valor relativo entre os destinos. Como resultado, “é provável que os efeitos permaneçam desiguais entre regiões, faixas de renda e segmentos de viagem”, indica.
No entanto, os viajantes não são passivos perante essas mudanças, perspectivando-se que, se consumidores demonstraram capacidade de adaptação nos últimos anos, “podem fazê-lo novamente este ano, ajustando destinos, datas e prioridades de gastos conforme as condições mudam”. Em 2026, essa adaptabilidade provavelmente continuará a ser uma característica definidora da economia das viagens, apoiando o engajamento contínuo mesmo com a constante mudança do cenário, conclui a análise.
As perturbações nas cadeias de abastecimento energético e as restrições em algumas rotas aéreas levaram ao reajuste de ligações e ao surgimento de novos corredores aéreos no continente.
Ainda assim, de acordo com a análise das reservas de lugares previstas entre junho e setembro, seis dos dez destinos globais com maior crescimento são europeus, indicando um desempenho sólido em termos de crescimento face ao ano anterior. Paris deverá liderar esse crescimento, reforçando o seu estatuto como um dos principais destinos internacionais. Amesterdão e Bruxelas seguem a mesma tendência, enquanto Barcelona, Madrid e Frankfurt também registam aumentos significativos na procura internacional.
O aumento dos custos da energia e dos combustíveis continua a pressionar os preços do transporte e do alojamento, enquanto a volatilidade dos mercados de câmbio e as diferenças no crescimento dos rendimentos influenciam a escolha dos destinos e a frequência das viagens, confirma o relatório da Mastercard, que reconhece que, estas pressões têm conduzido a comportamentos de viagem mais seletivos e a uma procura turística internacional mais moderada em algumas regiões do mundo, embora a procura global se mantenha resiliente, apoiada por mercados de trabalho robustos e por um consumo sustentado em experiências. Também os europeus continuam a dar prioridade às viagens, com uma maior atenção ao valor, ao momento da viagem e à qualidade da experiência.
Por outro lado, a utilização de agentes de Inteligência Artificial (IA) está a transformar a forma como os consumidores pesquisam, descobrem e planeiam as suas férias, incentivando a procura de “tesouros escondidos” e de alternativas mais exclusivas.
Também as viagens de comboio ganham dinamismo na Europa, tendo aumentado entre 2022 e 2025, sinalizando uma mudança gradual, mas significativa, nos comportamentos de viagem, com uma crescente valorização da experiência proporcionada pelo percurso. Na Europa, os viajantes espanhóis lideram a utilização do transporte ferroviário, com uma quota de 2,7% (face a 1,8% em 2022), seguidos pelos neerlandeses (2,2%, face a 1,3% em 2022) e pelos viajantes belgas e britânicos (ambos com 2,1%).
A Europa é o epicentro do crescimento do turismo ferroviário, graças, em parte, à Estratégia para uma Mobilidade Sustentável e Inteligente da União Europeia, que tem como objetivo duplicar o tráfego ferroviário de alta velocidade até 2030, tornando o comboio uma opção de mobilidade de baixo carbono cada vez mais acessível.
De destacar também que as viagens de luxo em comboio estão a registar um crescimento expressivo, representando atualmente cerca de 20% da despesa mundial com viagens ferroviárias. A procura europeia é mais forte entre os viajantes provenientes de Itália, Espanha e Reino Unido. Os viajantes italianos, em particular, destinam mais de 50% da sua despesa total em transporte ferroviário a experiências de luxo em comboio.

