O turismo global iniciou 2026 com previsões de crescimento muito positivas, depois de ter atingido números recorde de chegadas internacionais em 2025, com quase 1,5 mil milhões turistas internacionais, ultrapassando os níveis pré-pandemia pela primeira vez.
No entanto, a escalada da crise no Médio Oriente desencadeou uma redistribuição dos fluxos de viagem, remodelando o mapa do turístico global destino a destino, com o aumento dos custos dos combustíveis a levar a um aumento das tarifas aéreas, fazendo com que os consumidores optem por destinos mais próximos e acessíveis, favorecendo, dessa forma, viagens de curta e média distância, especialmente na Europa e na Ásia.
A Crédito y Caución trabalhou , em virtude da atual incerteza, em dois cenários possíveis, dependendo da duração do conflito. No cenário base, espera-se que a procura turística na Europa aumente 8% e na Ásia, 12%. Num cenário pessimista de guerra prolongada, esses valores de crescimento cairiam para 3% e 5%, respetivamente. Deve lembrar-se que a Europa recebe 52% das chegadas internacionais e a Ásia, 22%.
Por agora, a situação é melhor caracterizada como “uma crise de preços do que como uma perturbação física do fornecimento”, refere a Crédito y Caución. “O combustível de aviação é um dos componentes mais caros para as companhias aéreas e normalmente representa entre 25% e 30% dos seus custos operacionais. Um aumento acentuado tem, portanto, consequências imediatas: compressão de margens, taxas e sobretaxas por combustível mais elevadas, redução da cobertura de rotas menos lucrativas e maior otimização dos fatores de carga e do deslocamento da frota. Deve lembrar-se que o transporte aéreo representa aproximadamente dois terços dos movimentos turísticos internacionais em todo o mundo”, salienta a seguradora de crédito.
Neste sentido, “o que inicialmente parecia um risco geopolítico está a traduzir-se em pressão operacional e financeira em todo o sistema de aviação”, logo, com impacto nas viagens e turismo, reconhece a Crédito y Caución. Por isso, destaca que “a resiliência das companhias aéreas dependerá em grande parte da sua solidez financeira, das estratégias de cobertura de combustíveis e do poder de fixação de preços”.
É também uma situação que afeta não só a aviação, mas também o resto da cadeia de valor do turismo. “Operadores turísticos, intermediários de viagem, hotéis que dependem da procura de longa distância e fornecedores de transportes e serviços com custos fixos elevados enfrentam um ambiente mais complexo”.
Neste cenário, a análise da seguradora de crédito indica que o impacto será “desigual”. Assim, segmentos ligados a viagens de curta distância e viagens domésticas provavelmente demonstrarão maior resiliência, beneficiando da redistribuição da procura.
A situação atual não aponta para uma “paragem abrupta” do turismo mundial, mas destaca uma “vulnerabilidade estrutural”. “Se as restrições persistirem, o setor poderá enfrentar um período mais longo de menor conectividade, preços mais elevados e alterações nos padrões de viagem”, refere ainda a Crédito y Caución.
Neste contexto, “proteger a saúde financeira a longo prazo tornou-se uma prioridade fundamental face aos múltiplos fatores de risco”, destaca seguradora de crédito, concluindo que entre as principais preocupações das empresas está o “aumento dos custos de produção que acaba por ter um impacto negativo nas margens de lucro”.

