Relatório Anual de Tráfego Aeroportuário Mundial de 2026, divulgado pelo Airports Council International (ACI) World, apontou que, em 2025, o tráfego aéreo mundial atingiu um recorde de 9,8 bilhões de passageiros.
“Os resultados de 2025 confirmam o que este setor vem demonstrando ano após ano: a demanda por viagens aéreas a longo prazo permanece forte e será necessária mais capacidade”, afirma Justin Erbacci, diretor-geral do ACI World.
Os dados do ACI World, que têm por base informação proveniente de 2.817 aeroportos comerciais em todo o mundo, que representam cerca de 97% do tráfego global de passageiros, mostram que o crescimento global foi fortemente impulsionado pelas viagens internacionais, cujo tráfego de passageiros cresceu 6,1%, enquanto o tráfego doméstico cresceu apenas 1,7%.
O crescimento registado foi, segundo o ACI World, “expressivo em quase todas as regiões” do mundo, mas o destaque foi para África, que liderou o crescimento, com um aumento de 9,0% no tráfego, seguida pelo Oriente Médio (6,5%), Ásia-Pacífico (5,1%) e América Latina e Caraíbas (4,5%).
A Europa também apresentou um crescimento sólido, de 4,2%, enquanto “a América do Norte foi a exceção”, apresentando uma queda de 0,7% no tráfego devido à menor demanda doméstica.
Segundo Justin Erbacci, o aumento da procura por viagens aéreas vai exigir uma expansão da capacidade, que deve “aproveitar ao máximo a infraestrutura que já existe”, sendo também necessária a adoção de “regulamentação que possibilite o investimento, em vez de bloqueá-lo” e sem perder de vista o facto dos aeroportos serem “ativos estratégicos para as comunidades”.
2026 ameaçado por “turbulências” e “cenário complexo”
Apesar dos bons resultados de 2025, o ACI World está preocupado com as perspectivas para 2026, uma vez que os “primeiros meses deste ano revelaram um cenário mais complexo”, fruto das “turbulências” que o mundo tem vivido.
No primeiro semestre de 2026, o tráfego aéreo global chegou aos 4,7 bilhões de passageiros, o que traduz um crescimento de apenas 0,7% face aos seis primeiros meses de 2025.
O ACI World nota que o resultado do primeiro semestre representa “uma desaceleração acentuada em comparação com o ritmo de 2025”, tendo o crescimento sido mais representativo em África, na Europa, na América Latina e Caraíbas e ainda na Ásia-Pacífico, enquanto “a América do Norte permaneceu praticamente estável”.
O ACI World diz, por isso, que “apesar da volatilidade de curto prazo, a mensagem principal do relatório é de confiança”, uma vez que os fatores que impulsionam a demanda por aviação a longo prazo, como o crescimento populacional, o aumento da renda, a expansão da conectividade e o desejo constante por mobilidade, permanecem intactos”.
Em sentido contrário ficou o Médio Oriente, que registou a queda mais acentuada, com uma redução de 21% no tráfego aéreo, devido ao impacto da escalada da crise e das interrupções no espaço aéreo.
