A Comissão Europeia acaba de publicar novas diretrizes que descrevem como a Rede Natura 2000 de áreas protegidas da Europa pode funcionar como um poderoso motor do turismo sustentável, ao mesmo tempo que salvaguardam os habitats e as espécies que se destina a proteger.
As novas diretrizes apoiam a implementação dos objetivos da UE em matéria de biodiversidade e turismo sustentável, incluindo a Estratégia Europeia para a Biodiversidade 2030, ajudando os Estados-Membros e as partes interessadas a conciliar a proteção da natureza com o desenvolvimento socioeconómico. Por outro lado, fornecem uma estrutura para o planeamento e gestão de sítios Natura 2000 que integra o turismo e as atividades recreativas, destacando a crescente importância do ecoturismo – viagens responsáveis que conservam o meio ambiente e beneficiam as comunidades locais – que desde o início da década de 1990 tem crescido a uma taxa anual de até 34%, superando significativamente o setor turístico em geral.
Refira-se que a Rede Natura 2000 está no centro da política de conservação da natureza da UE, reunindo mais de 27 mil sítios em todos os Estados-Membros. Abrangendo quase um quinto do território terrestre da União Europeia e mais de 10% da sua área marítima, a rede permite atividades económicas, incluindo o turismo, desde que não comprometam os objetivos de conservação. As novas orientações centram-se em encontrar esse equilíbrio.
Nos sítios Natura 2000, a atividade turística gera entre 50 e 85 mil milhões de euros anualmente e sustenta até 2 milhões de empregos a tempo inteiro, especialmente em regiões rurais, costeiras e montanhosas.
Neste sentido, as diretrizes reconhecem o “paradoxo da conservação”: áreas protegidas bem administradas atraem mais visitantes, o que, por sua vez, leva a um aumento da pressão sobre os habitats e as espécies que tornam essas áreas atrativas em primeiro lugar, daí que os fluxos de visitantes mal geridos podem levar rapidamente à degradação do habitat, perturbação das espécies, poluição e esgotamento dos recursos.
Para solucionar este problema, a Comissão propõe um quadro de quatro etapas para a gestão sustentável do turismo, que passam por identificar pressões, ameaças e benefícios potenciais, avaliação da capacidade de carga, fortalecimento da comunicação e da conscientização, bem como implementação de medidas de gestão adequadas.
Esta abordagem foi concebida para ajudar gestores e autoridades locais a antecipar impactos, planear com eficácia e alinhar o desenvolvimento do turismo sustentável com os objetivos de conservação e restauração, e também promovem o planeamento proativo, incluindo estratégias de gestão de visitantes, avaliação de impacto potencial e investimento em educação e divulgação – desde campanhas informativas e visitas guiadas até ciência cidadã e ferramentas digitais.
Criada ao abrigo das Diretivas Aves e Habitats da UE, a Rede Natura 2000 é a maior rede coordenada de áreas protegidas do mundo. O seu objetivo é garantir a sobrevivência a longo prazo das espécies e habitats mais valiosos e ameaçados da Europa.
