O avião comercial 737 Max 10 da Boeing foi aprovado para operar com passageiros após anos de atrasos, anunciou a Administração Federal de Aviação (FAA) nesta terça-feira.
A certificação do Max 10 representa mais um marco nos esforços da Boeing para restaurar sua reputação e estabilidade financeira após anos de desafios relacionados à segurança, qualidade e produção. Com a produção aprovada, a aeronave agora pode ser vendida para companhias aéreas nacionais e estrangeiras.
“Após extensas revisões de segurança — incluindo milhares de horas de voos de teste — a equipe da FAA está pronta para aprovar a venda desta aeronave crucial”, disse o Secretário de Transportes, Sean Duffy, em um comunicado. “Esta é uma grande vitória para a indústria manufatureira americana e para o status de nossa nação como uma potência global da aviação.”
Espera-se que Duffy fale sobre a decisão durante uma visita à fábrica da Boeing em Everett, Washington.
O Max 10 — a maior versão da família 737 da Boeing, campeã de vendas — é uma peça importante no esforço da empresa para recuperar terreno no mercado de aeronaves de corredor único. Para as companhias aéreas, a aeronave maior oferece a possibilidade de transportar mais passageiros em um único voo, reduzindo potencialmente os custos por assento. Para os viajantes, isso pode significar, eventualmente, mais assentos em rotas populares, embora o impacto nas tarifas dependa de como as companhias aéreas implantarão as aeronaves e do nível de concorrência que enfrentarão.
Stephanie Pope, presidente e CEO da Boeing Commercial Airplanes, afirmou em comunicado que “a conclusão do programa de certificação abre caminho para entregarmos uma aeronave Boeing que estabelecerá um novo padrão na aviação comercial”. O Max 10 terá capacidade para 185 a 210 passageiros, segundo a Boeing, em comparação com os 175 a 195 passageiros do Max 9 e os 160 a 180 do Max 8.
O jato de corredor único foi apresentado no Salão Aeronáutico de Paris em 2017 para ajudar a Boeing a competir com a rival Airbus. No entanto, obstáculos técnicos e regulatórios atrasaram repetidamente a certificação.
A Boeing afirmou em seu relatório anual de 2020 que esperava realizar a primeira entrega da aeronave em 2023. A empresa agora prevê iniciar as entregas em 2027.
Os atrasos prejudicaram uma parte fundamental dos negócios da Boeing. Mais de 30 clientes em todo o mundo encomendaram 1.555 aeronaves Max 10, que a Boeing ainda não entregou, representando mais de 30% da sua carteira de encomendas do 737 Max.
Entre os principais clientes do Max 10 estão a United Airlines, a Delta Air Lines, a American Airlines e a Ryanair. A Alaska Airlines juntou-se a essa lista em janeiro, encomendando 105 aeronaves Max 10 , com opção para mais 35.
Os problemas da Boeing se agravaram particularmente desde os dois acidentes fatais envolvendo o menor modelo Max 8, que mataram 346 pessoas em 2018 e 2019 na costa da Indonésia e na Etiópia. Em 2024, um painel se desprendeu de um Max 9 da Alaska Airlines em pleno voo, reacendendo o escrutínio sobre as práticas de fabricação e segurança da Boeing.
O Max 10 foi projetado para competir com a família de modelos A321neo da Airbus, que entrou em serviço em 2017. O maior A321neo pode transportar mais passageiros e voar mais longe sem reabastecer do que o Max 10.
Ainda assim, a Boeing projetou o Max 10 para transportar mais passageiros consumindo menos combustível do que aeronaves mais antigas — uma combinação potencialmente atraente para as companhias aéreas que enfrentam o aumento vertiginoso dos custos do combustível de aviação em meio à guerra dos EUA com o Irã. Esses custos crescentes aumentaram a pressão sobre as companhias aéreas para controlar as despesas.
A certificação do Max 10 completa a linha de quatro modelos 737 Max. A FAA liberou o Max 7, menor, para operações comerciais em agosto.
A certificação significa que a FAA determinou que o projeto do Max 10 atende aos padrões de segurança, após revisões de engenharia e testes de voo. No entanto, a Boeing precisa continuar demonstrando que consegue construir a aeronave de acordo com o projeto aprovado de forma consistente, e cada avião precisa ser liberado antes de poder transportar passageiros.
Após os acidentes fatais com o Max 8, a FAA reformulou a maneira como certifica as aeronaves da Boeing. Mas, nos últimos 18 meses, a agência flexibilizou gradualmente algumas das restrições impostas à empresa, aumentando o limite de produção de aviões da Boeing. Em julho, a FAA também afirmou que a Boeing poderia voltar a emitir certificados de aeronavegabilidade para seus aviões 737 Max e 787 ao final da produção, permitindo que a empresa retomasse parte da responsabilidade de determinar se as aeronaves finalizadas estão prontas para voar.
