Uma estimativa da travelBI by Turismo de Portugal, após consulta de várias fontes, aponta que, somando efeitos diretos, indiretos e induzidos, aponta que o conjunto de eventos de verão em Portugal terá um impacto entre os 4 e os 6 mil milhões de euros. Daí o turismo de eventos de verão seja hoje um dos principais catalisadores da atratividade turística no nosso país.. Embora não exista um inventário nacional único, cruzando dados de municípios, Turismo de Portugal, promotores, federações desportivas e associações setoriais, refere a análise que é possível construir uma estimativa bastante robusta.
Uma triangulação de fontes utilizada pelo ChatGPT estimou entre 4.000 e 5.000 o número de eventos relevantes durante os meses de verão, indica o artigo que leva a assinatura de Pedro Pereira, gestor de projetos no Turismo de Portugal, que reconhece, no entanto, que apenas uma pequena fração deste número tem capacidade para gerar fluxos turísticos nacionais ou internacionais.
Ao segmentar estes eventos por dimensão, verifica-se que é muito reduzido o número de “megaeventos”, ou seja, acima de 150 mil visitantes/participantes, evidenciando que os maiores são todos manifestações ou festas de cariz popular: Os Santos Populares, em Lisboa; a noite de São João, no Porto; a Romaria da Senhora da Agonia, em Viana do Castelo e a Feira de São Mateus, em Viseu, que movimentam mais de 1 milhão de visitantes.
Nesta categoria destacam-se apenas três eventos com entradas pagas: A Feira Medieval de Santa Maria da Feira, que na sua edição de 2026, terá acolhido 650 mil visitantes; o Rock in Rio Lisboa, 330 mil; e o NOS Alive, em Oeiras, 160 mil, mas em termos de capacidade de captação de fluxos internacionais, destacam-se o Rock in Rio que terá gerado espetadores oriundos de 127 países, e o NOS Alive de 110 nacionalidades diferentes.
Quanto ao impacto económico gerado, as feiras e festas populares são as que se estima tenham maior relevância, seguidas de perto pelos eventos desportivos e pelos eventos musicais – concertos e festivais, indica a análise, que ressalta a liderança do Rali de Portugal como o evento gerador de maior impacto económico, tendo a edição de 2025 sido responsável por 193 milhões de euros de impacto económico total, segundo números que constam do estudo “Estudo do Impacto do WRC Vodafone Rally de Portugal 2025 na Economia do Turismo e Formação da Imagem dos Destinos: Portugal”, realizado pela Universidade do Algarve, que estimou em mais de um milhão o número de espetadores, dos quais 36,5% eram estrangeiros.
Já entre os eventos musicais, o que gera maior impacto económico é o Rock in Rio, diz a travelBI by Turismo de Portugal, que cita um estudo da Nova SBE relativo à edição de 2024, que estimou em mais de 120 milhões de euros o impacto direto na economia nacional, tendo sido criados 2.000 postos de trabalho.
Impacto nos países do sul da Europa
Entre maio e setembro, a previsão é de que o aumento total nos gastos turísticos gerados por eventos nos países do sul da Europa (Espanha, Itália, França e Grécia) devem gerar 3,7 biliões de euros.
Segundo a análise da Data Appeal, junho e julho oferecem aos destinos a maior oportunidade de maximizar a receita turística com menos eventos, e identifica eventos de médio porte como uma ferramenta estratégica para distribuir os benefícios económicos, aliviando a pressão durante a época alta.
Os eventos de grande porte geram 51% do aumento nos gastos turísticos relacionados a eventos de verão, apesar de representarem menos de 1% de todos os eventos programados no Mediterrâneo Sul, de acordo com a The Data Appeal Company / Almaviva Group, com base em dados da Data Appeal Mabrian, a sua solução de inteligência de viagens.
A análise identifica quatro principais conclusões sobre eventos de verão com base em dados médios e específicos de quatro destinos do Mediterrâneo Sul — Espanha, Itália, França e Grécia — referentes a todos os eventos programados entre maio e setembro de 2026. avalia o impacto turístico desses eventos em termos de número e categoria, público e gastos turísticos adicionais (despesas extras geradas por visitantes que viajam especificamente para participar num evento).
Nos quatro países analisados, os concertos representam a maior parte dos eventos de verão, correspondendo a 38,5% do total. A França é a exceção, onde os eventos de artes cênicas constituem a maior proporção (43,5%), apesar de gerar menor público e gastos turísticos. Em termos de público, os eventos musicais — particularmente festivais (38,6%) e concertos (22,2%) — e os eventos desportivos (28%) atraem, em média, o maior público nos quatro destinos. Exposições e feiras comerciais também registam forte público, principalmente na Grécia (34%) e, em menor escala, na Itália (14,4%) e em França (12,8%).
O estudo avança ainda que, em média, 52% dos gastos adicionais de turistas relacionados com eventos são absorvidos por restaurantes, bares e outros estabelecimentos de alimentação e bebidas, o que destaca a significativa contribuição do setor para as economias locais nos destinos analisados. Além disso, entre as categorias de eventos que geram os maiores níveis de gastos adicionais de turistas — como eventos desportivos, festivais concertos — o setor de alimentação e bebidas representa entre 44% e 58% do gasto total dos visitantes.
Entre os destinos analisados, os eventos realizados em junho e julho alcançam o equilíbrio mais favorável entre o número de eventos e o aumento dos gastos turísticos gerados. O estudo define esse período como a Janela de Rentabilidade — quando os destinos podem maximizar os gastos dos visitantes com menos eventos, aumentando o retorno económico antes do pico da procura turística e evitando a pressão adicional do turismo durante as semanas mais movimentadas da temporada de verão.
