Os confrontos da semana passada em Paris, capital francesa, já levaram a uma desaceleração das reservas na hotelaria da cidade para as próximas semanas, avança a Euronews.
“Este aumento da violência no centro das cidades, em Nice, em Paris, em Lyon, é catastrófico”, lamenta Christelle Cassagne, responsável da ADN Tourisme, uma federação que reúne os organismos institucionais do turismo em França.
E, segundo a MKG Consulting, os efeitos dos mais recentes confrontos já são visiveis, com os hotéis parisienses a registarem uma desaceleração nas reservas para as próximas seis semanas.
De acordo com a consultora, citada pela Euronews, em apenas 24 horas, entre 19 e 20 de outubro, a vantagem em relação ao mesmo período de 2025 diminuiu significativamente, passando de um para 0,2 pontos percentuais para as estadias previstas de 20 a 29 de outubro, e de 3,5 para 1,9 pontos para as de 20 a 25 de outubro.
“Quando se reserva um hotel para uma semana, não é para ficar fechado no quarto”, acrescenta Christelle Cassagne, lembrando que o encerramento do Museu do Louvre, na passada segunda-feira, 19 de outubro, poderá ter aumentado as dúvidas dos turistas em manter as reservas.
No entanto, alguns especialistas citados pela Euronews mostram-se mais otimistas, a exemplo de Didier Arino, diretor da consultora Protourisme, que defende que a “amplitude das repercussões dependerá principalmente da continuação dos distúrbios”.
Os dados já apurados indicam que, em apenas um dia de disturbios, a capital francesa terá visto desaparecer cerca de 1 % das reservas do mês, num efeito limitado que, no entanto, se poderá agravar caso os disturbios se mantenham.
“Quanto de mais longe os clientes vêm, mais sensíveis são aos riscos relacionados com a segurança e mais graves são as consequências”, sublinha Didier Arino.
EUA, China e Alemanha foram alguns dos países que emitiram alertas e que recomendaram prudência aos seus cidadãos em visita a França, o que terá contribuido para o aumento dos cancelamentos.
“Se isto durar duas semanas, não é muito grave. Por outro lado, se se prolongar por vários meses, será catastrófico”, adverte Laurent Abitbol, presidente do conselho de administração da rede de agências de viagens Selectour.
Recorde-se que os protestos em França começaram nas escolas de Paris, com os estudantes a reivindicarem mais meios para a educação, mas rapidamente se espalharam a todo o país e, no último sábado, 17 de outubro, provocaram uma onda de violência, com pilhagens a lojas e destruição do mobiliário público em várias cidades francesas.
