O CEO do grupo Lufthansa, Carsten Spohr, esteve em Portugal esta segunda-feira, 29 de junho, para a cerimónia de lançamento da primeira pedra da fábrica da Lufthansa Technik em Santa Maria da Feira, e aproveitou para reafirmar o interesse “muito forte” que o grupo germânico continua a manter na privatização da TAP, que considera que seria o “parceiro ideal” para a expansão do grupo no sudoeste da Europa e América do Sul, especialmente no Brasil.
Carsten Spohr começou por realçar que o investimento que o grupo Lufthansa está a fazer na fábrica de Santa Maria da Feira e que ultrapassa os 300 milhões de euros, é a “prova visível” de que o “empenho do grupo em Portugal é real”.
“Acreditamos que aquilo que construímos aqui em Portugal, aquilo que estamos a inaugurar hoje – postos de trabalho, oportunidades de formação e, claro, também o programa social – seria maravilhosamente complementado pela nossa cooperação com a TAP”, afirmou o responsável, durante a cerimónia desta segunda-feira.
A TAP é, segundo o CEO do grupo Lufthansa, “a parceira certa” para a expansão do grupo de aviação germânico para outros mercados, concretamente para a América Latina, uma vez que Portugal funciona como uma “porta de entrada para o Brasil”.
“É óbvio que Portugal é a porta de entrada para o Brasil. Está geograficamente numa localização perfeita para a execução dos nossos planos de continuar a desenvolver as nossas rotas para a América Latina”, explicou, garantindo que a Lufthansa não quer “desviar valor ou passageiros para Frankfurt ou para a Alemanha, mas sim o contrário”.
Carsten Spohr defendeu que o grupo Lufthansa é o único dos dois candidatos à privatização da TAP que possui “maior importância estratégica para um potencial investimento num hub”, como demonstra o historial da empresa noutros processos de privatização.
“Isto vem complementar na perfeição a nossa rede, que já conta com seis hubs espalhados por todo o mundo, mas ainda não temos nenhum no sudoeste da Europa. Sei que o nosso parceiro [Air France-KLM], claro, tem um centro em Paris. Esse também faz parte do sudoeste da Europa, por isso penso que a importância específica de Lisboa será muito maior no nosso caso”, afirmou Spohr, sublinhando que os investimentos da Lufthansa em companhias de outros países europeus permitiram que as transportadoras “preservaram a sua identidade nacional”.
“Temos os meios financeiros para investir. E, claro, somos, de longe, os líderes no resto da Europa, o que nos permite atrair passageiros com destino a Lisboa e ao Porto, que depois seguem para a América Latina, especialmente para o Brasil”, referiu ainda o CEO do grupo Lufthansa.
Carsten Spohr disse ainda que vai respeitar a decisão do governo português, mas garantiu estar pronto para assumir a gestão da TAP já esta segunda-feira, se o executivo assim o entendesse.
“Estou pronto. Posso começar esta tarde se o primeiro-ministro assim o quiser”, acrescentou o CEO do grupo Lufthansa, antes de se reunir com o primeiro-ministro Luís Montenegro.
Recorde-se que a Lufthansa foi um dos dois candidatos à privatização da TAP que passaram à segunda fase do processo, em conjunto com a Air France-KLM, que se espera que esteja concluído ainda neste verão.

