A Câmara de Lisboa aprovou a atribuição de 25,8 milhões de euros à Associação de Turismo de Lisboa (ATL) para dinamização da procura turística até 2029 e de 8 milhões de euros para a conferência Web Summit 2026.
Sob proposta da liderança PSD/CDS-PP/IL, que governa com maioria absoluta após integrar uma eleita do Chega, o financiamento à ATL e à Web Summit 2026 foi discutido e viabilizado em reunião privada do executivo municipal, sob críticas da oposição, com os votos contra de Livre, BE e PCP, informou fonte da autarquia.
A transferência de 25,8 milhões de euros para a ATL, de acordo com a proposta, pretende financiar “um programa de dinamização da procura turística da cidade, no período de 2026 a 2029”, através do Fundo de Desenvolvimento Turístico de Lisboa (FDTL), tendo parecer favorável do Comité de Investimentos.
O programa para dinamização da procura destina-se “não só a dar continuidade a outros programas fundamentais para a estabilidade de Lisboa enquanto destino turístico e essenciais para a sustentabilidade da oferta já existente, como também a substituir programas de apoios à promoção turística assegurados pela FDTL desde a sua criação e que agora terminam”, referem PSD/CDS-PP/IL.
Entre as ações previstas estão planos de apoio à comercialização e vendas, projeto digital, agências de comunicação nos mercados, promoção de festivais e eventos culturais, captação de eventos, dinamização de iniciativas locais, guia ‘Follow Me’ e ações táticas e estratégicas de promoção internacional, é referido na proposta.
O valor total de financiamento, de 25,8 milhões de euros, constitui “um reforço relativamente ao anterior programa de dinamização executado e concluído em 2025”, revelou a governação, justificando a proposta com o investimento “numa estratégia digital e na necessidade de proatividade através da implementação de um conjunto de ações táticas para captar mercados de alto valor e de mais longo curso, numa perspetiva de melhoria da rentabilidade do setor do turismo”.
Justificando o voto contra, a vereação do Livre disse que a proposta mantém “um modelo de financiamento do turismo desatualizado”, ao canalizar receitas da taxa turística para atração de mais turismo em vez de compensar os seus impactos na cidade, visão também partilhada pelo BE que considerou que a governação PSD/CDS-PP/IL tem as prioridades “erradas”.
Já o PCP afirmou que este financiamento comprova que o turismo é um dos setores económicos mais beneficiados pelos apoios públicos e criticou a falta de transparência e de fundamentação na atribuição de verba à ATL, defendendo que “os 80 milhões de receitas do FDTL não podem ser assumidos como dinheiro de fácil acesso”.
Optando pela abstenção, a vereação do PS defendeu que a taxa turística, que gera uma receita de 83 milhões de euros para o município, “deve servir os lisboetas e contribuir para corrigir os impactos nocivos do turismo e não para os agravar”, afirmando que “é difícil compreender” que 25 milhões de euros, um terço do montante global, sejam investidos na dinamização turística “quando continuam identificadas carências em áreas essenciais”, nomeadamente ao nível da habitação, espaço público, higiene urbana, mobilidade e segurança.
Com os votos contra de Livre, BE, PCP e Chega, e a favor de PSD/CDS-PP/IL e PS, foi viabilizado o apoio de 8 milhões de euros para a edição deste ano da conferência Web Summit, financiamento atribuído através do FDTL após candidatura da ATL, no âmbito do acordo celebrado em 2018 para a organização do evento em Lisboa, anualmente, no período de 2019 a 2028.
Segundo a proposta, o financiamento para a Web Summit 2026 contempla um aumento em algumas das verbas previstas, o que se justifica com o aumento do espaço para a iniciativa, “prevendo-se um crescimento em termos de expositores e de público relativamente à edição anterior”, e com o consequente acréscimo de dias de montagem e desmontagem, bem como aumento dos preços dos serviços, como energia, comunicações e limpeza, devido à inflação.
