Os aeroportos europeus registraram crescimentos de 3,9% e 3,1% no tráfego de passageiros de julho e agosto, respectivamente, provando que, apesar do conflito no Médio Oriente, “a procura por viagens aéreas permanece resiliente”, segundo Olivier Jankovec, diretor-geral do Airports Council International (ACI) Europe.
“A recuperação do tráfego de passageiros durante os meses de pico do verão demonstra que a procura por viagens aéreas permanece resiliente, apesar das contínuas tensões geopolíticas, da deterioração das condições macroeconômicas, das restrições de oferta e do aumento das tarifas aéreas”, afirma o responsável do ACI Europe.
Os aeroportos europeus apresentaram uma recuperação em julho e agosto, numa clara aceleração face ao segundo trimestre do ano, quando o tráfego de passageiros na Europa aumentou apenas 1,3%, devido ao impacto do conflito entre o Irão e EUA.
Em Itália e Espanha, dois dos principais destinos turísticos europeus, o tráfego de passageiros aumentou 5,2% e 4,7%, respectivamente, ainda que a França e a Alemanha tenham apresentado um desempenho inferior à média europeia.
Fora da União Europeia, os aeroportos apresentaram crescimentos ainda mais robustos, com aumentos que chegaram aos 6,6% em julho e aos 6% em agosto, com destaque para o aeroporto de Istambul, na Turquia, que se tornou no aeroporto europeu mais movimentado durante o verão, com um crescimento de 3% no volume de passageiros, atingindo 8,6 milhões em agosto.
Em sentido contrário estiveram aeroportos como o de Londres-Heathrow, que registrou mesmo uma quebra de 2,1% nos passageiros movimentados, ficando-se pelos 7,9 milhões de passageiros processados, enquanto o aeroporto de Gatwick, também no Reino Unido, caiu 3,4%.
Na União Europeia, merecem ainda destaque pela negativa os aeroportos de Paris-Charles de Gaulle, que caiu 1,1%, para 6,9 milhões de passageiros, assim como os aeroportos de Frankfurt (-0,3%) e Munique (-0,5%) que, apesar das quebras ligeiras, permaneceram praticamente estáveis, tal como Amsterdam-Schiphol (+0,1%).
Apesar de realçar que a procura por viagens aéreas se manteve resiliente, Olivier Jankovec reconhece que os números do verão mostram “divergências acentuadas entre os mercados”, o que acontece por causa do conflito no Médio Oriente.
“A geopolítica está a moldar cada vez mais o desempenho, com o tráfego de passageiros estagnado – ou mesmo em declínio – em diversos mercados que normalmente apresentariam forte demanda no verão”, acrescenta o responsável.
Olivier Jankovec alerta também para o impacto que o aumento dos preços dos combustíveis poderá vir na oferta e procura por viagens aéreas, uma vez que “as companhias aéreas já estão a reduzir a capacidade e a aumentar as tarifas aéreas para mitigar o aumento dos custos com combustível de aviação”.
“Ao mesmo tempo, a crise do custo de vida que ressurge na Europa testará a resiliência da procura. Para os aeroportos, isso significa uma perspectiva mais incerta, com riscos renovados de tráfego e intensificação da pressão competitiva durante a temporada de inverno”, afirma ainda o diretor-geral do ACI Europe.
